Ladrão de figos secos


Acho que funcionas mais ou menos com uma consistência negra.
Resistes, roubando-me sempre o último figo seco.
Demoras a anoitecer, não deixas que aconteça e cativas-me num crepúsculo dolente, eternizado.
Não flamejas, mas também já perdeste o azul ciano.
És qualquer coisa entre o cinzento e a nulidade cromática.
És como um mau cigarro:
um é muito e dez não são suficientes – o clímax da dor gritante, da lascívia humana.

4 comentários:

Nea ♪ disse...

Gostei!

Flávia disse...

não te sei dizer de quantas canções de mágoas sou feita . talvez de inúmeras notas desafinadas que alguém ditou .

Rosie Hart disse...

Adoro figos, mas gosto muito mais deste texto!

Inês disse...

Não largues a caneta. Fantástico!

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Quando lia contos de fadas, eu imaginava que aquelas coisas nunca aconteciam, e agora cá estou no meio de uma! Deveria haver um livro escrito sobre mim, ah isso deveria! E quando for grande, vou escrever um...
L.C.