Quando escrevemos, oferecemos algo ao mundo.
Pois, hoje, quero que as montanhas altas escocesas saibam que, esta pseudo-quase-ode é para elas. Quero que saibam que me perco por elas, quando, desejando o fim, sonho com o Paraíso. Elas são a minha definição de Nèamh.  Elas e a neve branca que queima a pele da face onde cai.
De certeza que já vivi várias vidas e em vocês me encontrei. Eu estou certa que já vos pertenci... Ainda pertenço! No fundo, não sou mais do que um ser que não pertence a uma sociedade suada, húmida, amarela e doentia. Pertenço-vos! Sou tão vossa filha quanto as raposas selvagens que se ocultam sorrateiramente, e os cardos que brotam dos esconderijos dos rochedos.
Transportem-me. Como? Não sei... Não tenho nenhum bilhete de avião e sonho com o amuleto mágico de granito branco que me sopre pela magia ancestral.
Esta vida está a causar-me uma agonia assombrosa. Sinto-me dividida, pois não tenho conseguido obter respostas para os meus problemas, para os problemas deles, para os da humanidade. Magoa-me e fere-me o aigne enrugado por dores inventadas e mal sentidas. E já não sei por que me sinto assim... É um mal-estar a que me acomodo e, no meu egoísmo, de quem come sempre o último queque da travessa, queria que todos sentissem o que é ser eu por um dia, como é a dor que me dói.

Ainda nem me habituei aos meus dezoito anos... e já o meu medo tem cem...

1 comentário:

Fábio Carvalho disse...

«No fundo, não sou mais do que um ser que não pertence a uma sociedade suada, húmida, amarela e doentia.» Bem visto, gosto.

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Quando lia contos de fadas, eu imaginava que aquelas coisas nunca aconteciam, e agora cá estou no meio de uma! Deveria haver um livro escrito sobre mim, ah isso deveria! E quando for grande, vou escrever um...
L.C.