Fizeste-nos de correrias; desenfreio de loucas madeixas de luar. E uma por uma, todas as gotas que suaste, te caem agora de um precipício platónico.
Como o horizonte que nos abate e as palavras meras que rabisco, emergiste de um nada que ainda me é tanto... que me é tudo! E, de pálpebras cerradas, fazes-nos delirantes, sequiosos. Oh! Somos agora aves voadoras que aspiram a um novo planeta e a músculos possantes! 
E já não corro mais.
E perdi a sublime esperança,
               de que talvez a lembrança
                       não passe de um sonho que ficou por inventar.
E os ecos estridentes e aflitivos que tilintam no meu peito são a reminiscência de um batimento cardíaco que uma vez te pertenceu e que, sabe Deus, jorrou tremores e bênçãos e criou um porto de mágoas e perdições.
Ainda não te consigo dizer adeus, pois esta demência de paisagens que são pintadas na minha janela mostra ondas ribombantes de possessão extrema, de insânia pura, de chuva que cai, de gritos que dou! Ah!!

Como gostaria que o gira-discos convertesse a minha sina, e a lomografia não te capturasse para te eternizar dentro do álbum de fotografias e por entre os meus pensamentos de inverno…


3 comentários:

Fábio Carvalho disse...

Tudo! (o ritmo, a imagem, a sensação) excepto Deus. Deus não sabe nada.

Fábio Carvalho disse...

Deus «existe» mas é obviamente um ser incómodo que ocupa muito espaço na nossa cabeça, e além disso provou ser muito burro para nos resolver os problemas. É a minha teoria. Boa, não?

Fábio Carvalho disse...

Ninguém aprende sozinho, e muito menos se possuí livre-arbítrio quando a nossa liberdade depende diretamente dos outros que já existem, dos que irão existir, e das suas causas e dos seus efeitos. Ou seja, Deus não nos teria criado se tivesse pensado em nós. E aí tens, aqui temos, resultado do livre-arbítrio da única pessoa que alguma vez o teve.

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Quando lia contos de fadas, eu imaginava que aquelas coisas nunca aconteciam, e agora cá estou no meio de uma! Deveria haver um livro escrito sobre mim, ah isso deveria! E quando for grande, vou escrever um...
L.C.