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Cobria-lhe o cabelo uma fina camada de gotículas de chuva, semelhantes a rubis – brilhavam, dando-lhe um ar irreal.
Corria apressadamente – tão apressadamente quanto os pezinhos mordazes lhe permitiam –, na vaga tentativa de fugir da chuva, em direcção à estação, onde estava previsto o comboio chegar, por volta das cinco da tarde.
Estava atrasada – já passavam dez minutos da hora combinada
Aquela tarde de outono – de céu emoldurado por dois arco-íris –, mais solarenga do que o costume (e, ainda assim, abençoada pela chuva), dourara-se com o passar das horas do relógio da torre da Sé. E ela esquecera-se completamente de que, secretamente, teria de esperar a chegada do estrangeiro à estação. Por isso correu, mesmo estando ciente de que não chegaria a tempo.
E, de facto, não chegou – o comboio dera entrada na linha e partira entretanto.
Por isso sentou-se – cansada –, fazendo sua companhia o único cigarro que lhe sobrava no bolso.

4 comentários:

c disse...

greatness

catiag disse...

olá :)
espreita isto e vê se gostavas de participar : http://catiiag3.blogspot.pt/search/label/caderno

beijinhos *

Cláudia S. Reis disse...

Viajei, por momentos, através destes pezinhos mordazes. Maravilhoso.

Euterpe disse...

Gosto tanto deste texto. Faz-me lembrar os meus fins de tarde à espera na estação.

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Quando lia contos de fadas, eu imaginava que aquelas coisas nunca aconteciam, e agora cá estou no meio de uma! Deveria haver um livro escrito sobre mim, ah isso deveria! E quando for grande, vou escrever um...
L.C.