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Amanhã é sábado... isto é, neste momento, já é sábado...
Amanhã acordarás cedo e tão certo é isso como não saberes que nesta madrugada, em que dormes (e espero que tenhas tirado os óculos), não consigo sequer considerar a ideia de fechar os olhos e adormecer...
Tive aquelas ideias. Daquelas.  E fiz por não pensar nisso. E tenho medo de adormecer e que o meu coração me conceda esse último desejo. Mas é tudo tão colossal e torturante... e as paredes em volta estreitam-se e asfixiam-me e o meu peito sobe e desce,  dolente... 
As lágrimas fogem-me e eu só peço para poder adormecer onde tu estás,  para que, mais uma vez, o teu corpo e o teu calor sejam a minha música de embalar...


neuf

Quero que cases comigo. Que cases com o meu riso sonolento, com os meus complexos e os gostos exóticos. Que te sintas bem num ninho de andorinhas; que ames a Primavera e o sol de Março e os jardins teus, de amores-perfeitos. Quero que cases comigo. Na pele. Que consumas todo o meu corpo, como em tantas luas o fazes, e que me amarres, sem que queira fugir. 
Por isso, quero que tenhas tudo o que me cai dos bolsos: um brinco, um bombom ou um amor-perfeito – redondinho e aveludado, como o amor-perfeito tem de ser –, todas as arcas de tesouros que guardo no peito e na memória. 
Quero-te como quero a própria vida e anseio da tua saliva todo o amor que guardaste para mim, Quero-te nas minhas veias e no meu ventre e nas pontas dos dedos e quero-te assim, sem fim, total, loucamente. 
Amo-te mesmo.

IX.Simultaneidade




É preciso partir, definitivamente. 

Ou ficar. Ficar e mudar.
É preciso dar à sola ou ficar e mudar tudo.

VIII. Sangue frio

Os dedos escorrem pelo braço, trinando sons negros na guitarra. A caixa ecoa a infelicidade e geme, baixinho. A guitarra chora. 
Os dedos escorrem cegos pela escala, suam o metal. Ao violino, dói-lhe a alma. E os violinos têm mesmo uma alma. 
Nos dedos, escorrem, ímpios, rios de vida... mortos. A impureza foi eliminada a sangue frio, como tem de ser, impiedosa como a luz do sol ao incidir na lupa com que os miúdos queimam formigas nas tardes de verão.