VIII. Sangue frio

Os dedos escorrem pelo braço, trinando sons negros na guitarra. A caixa ecoa a infelicidade e geme, baixinho. A guitarra chora. 
Os dedos escorrem cegos pela escala, suam o metal. Ao violino, dói-lhe a alma. E os violinos têm mesmo uma alma. 
Nos dedos, escorrem, ímpios, rios de vida... mortos. A impureza foi eliminada a sangue frio, como tem de ser, impiedosa como a luz do sol ao incidir na lupa com que os miúdos queimam formigas nas tardes de verão.


VII. Selvagem

O corpo onde a água habita, de copo em riste sublima a criação divina. Sou livre, sou um ser selvagem. O meu coração ruge e as minhas garras vibram ao tocar a erva molhada da manhã. Tenho presas e o peito cheio de ar; persinto a caça, os aplausos distantes e… e as luzes que me focam e cegam…

Estou presa. Há arames nas minhas mãos e pés. Ainda tenho a boca sossegada. Arfo. Não me descobriram a razão, ainda. E é aí que reside toda a minha liberdade.

VI. Tosta

Do País das Maravilhas...

1/2 xícara de leite
3 ovos
1/4 xícara de manteiga de amendoim
2 colheres de sopa de açúcar branco
1/2 colher de chá de extracto de baunilha (opcional)
1/4 colher de chá de canela em pó
1 colher de sopa de óleo vegetal
4 fatias de pão

Passo-a-passo, sem mergulhar o dedo na manteiga:
1. Misturar o leite, os ovos, a manteiga de amendoim, o açúcar, o extracto de baunilha e a canela numa tigela grande.
2. Aquecer o óleo na frigideira, a lume médio.
3. Embeber cada fatia de pão na mistura de ovos (ambos os lados).
4. Fritar em ambos os lados até doirar, cerca de 3 a 4 minutos de cada lado.
5. Servir quente e com muuuito amor e açúcar.

P.S.: Aconselha-se que se lambam os dedos!

V. Realidade


O que é verdade é real.
O que não é verdade não é real.
É uma ilusão, mas parece real.
O amor é real.
É a expressão suprema da vida.