Do País das Maravilhas...
1/2 xícara de leite
3 ovos
1/4 xícara de manteiga de amendoim
2 colheres de sopa de açúcar branco
1/2 colher de chá de extracto de baunilha (opcional)
1/4 colher de chá de canela em pó
1 colher de sopa de óleo vegetal
4 fatias de pão
Passo-a-passo, sem mergulhar o dedo na manteiga:
1. Misturar o leite, os ovos, a manteiga de amendoim, o açúcar, o extracto de baunilha e a canela numa tigela grande.
2. Aquecer o óleo na frigideira, a lume médio.
3. Embeber cada fatia de pão na mistura de ovos (ambos os lados).
4. Fritar em ambos os lados até doirar, cerca de 3 a 4 minutos de cada lado.
5. Servir quente e com muuuito amor e açúcar.
P.S.: Aconselha-se que se lambam os dedos!
V. Realidade
O que é verdade é real.
O que não é verdade não é real.
É uma ilusão, mas parece real.
O amor é real.
É a expressão suprema da vida.
IV. Rezar
Recostei o
corpo à pedra gelada, salgada pelo mar. Fundi-me com as algas e fechei os
olhos. Senti-me gelar, salgar; o meu mundo era um mar de ideias e a minha mente
ribombava sobre as minhas pálpebras. As minhas mãos, agora exangues,
juntavam-se, formando uma posição de prece.
Procurei em
mim a resposta, a calma ao mar bravo que rugia e doidamente sibilava dentro dos
meus ouvidos.
Eu não era
pele, não era carne, nem ossos. Não havia sangue em mim. Toda a minha vida era
feita de sal e erros alheios. E eu beijei aquele abismo em que me embalava.
Só rezava, por
rezar. Sem acreditar. Ria, quando o fazia. Era inútil. É inútil... É inevitável... É fatal.
– Nada a fazer.
– Nada a fazer.
Acho que o ventre de onde nasci, nunca me quis. Desconfio, até, que o sangue que me corre nas veias foi-me dado sob uma uma imensa dívida. E no caminho que tenho percorrido, desde que larguei o berço, tenho vindo a pagar em lágrimas todas as gotas de sangue que puramente precisei.
Foi-me imposto que nascesse e agora dói a quem me criou que eu tivesse nascido.
O mundo é irónico, a família é ridícula e eu estou cansada dos laços rompidos que me prendem a esta casa, as estas paredes, a esta pele.
A minha maior dor está-me no sangue e eu nunca poderei mudar isso.

