VII. Licenciatura







Já nasci boémia por várias vezes, sempre aspirando a todas as decomposições prismáticas, sempre querendo ver para além das coisas que se eclipsavam aos meus pés.
Nunca nasci para viver agarrada a uma casa, uma sopa, um papel. Eu sou do mundo, nascida e criada na urze dos dias, velada por flores por inventar, escondida nas cascatas mais bonitas, que escrevia quando era pequena, no caderninho amarelo.

VI. Momento







Impulsos que nascem na boca e alimentam os sentidos até à exaustão das carnes, entre laços apertados e manhãs de nevoeiro.
Impulsos criadores de momentos de arrependimento. 

V. Neutro



De espanto
E de branco
Circula
Na corda bamba,
Cicuta
Na língua.
No peito
A traição.

Na redoma
A rosa.
Constante,
Dos espinhos
Neutra,
Pérfida ao som
Da lira,
Se lança
E delira
Na dança guerreira.
Alice

IV. Negociar

Não sabia que a combinação perfeita entre o mundo e a memória residia dentro da jarra de hidrângeas que apodreciam vagarosamente, ao som tiquetaqueante do pêndulo dourado do relógio de sala que lhe perturbava o sono.
Tentava fechar os olhos; negociava com o cérebro que aquele era o momento em que deveria adormecer. Esquecer todos os problemas que a sacudiam e atiravam ao chão de gravilha. As mãos pequenas e os joelhos escuros estavam arranhados, assemelhando-a a uma penitente involuntária.
Não reconhecia os olhares espasmódicos do espelho que a fitava, assustado, ainda com sete azarados anos a decorrerem-lhe na fita métrica do louco e bêbado tempo, tão pouco sóbrio de si quanto do que pensava pensar sobre o pensamento humano; cansado, de coração apertado.