Ladrão de figos secos


Acho que funcionas mais ou menos com uma consistência negra.
Resistes, roubando-me sempre o último figo seco.
Demoras a anoitecer, não deixas que aconteça e cativas-me num crepúsculo dolente, eternizado.
Não flamejas, mas também já perdeste o azul ciano.
És qualquer coisa entre o cinzento e a nulidade cromática.
És como um mau cigarro:
um é muito e dez não são suficientes – o clímax da dor gritante, da lascívia humana.

O mundo visto daqui sabe melhor e soa a caixinha de música.
Daqui, visto-te de azul. És céu e é verão e não há nuvens! Jamais as semearia em ti. Não!
Tens bandos de pássaros que bailam em espiral e chilreiam e tens trinta e três vidas e folhas verdes.
És tão bonito...
É adorável como suportas tantos milénios de «Eu amo-te mais do que isto»
O que mais queres que diga? Tudo em ti é adorável.

As mulheres surreais de Oleg Oprisco

São do domínio do sonho as mulheres retratadas por Oleg Oprisco. Ruivas, feéricas, misteriosas.
Bem-vindos ao mundo surreal deste fotógrafo ucraniano de 23 anos.