Alice, no país das sapatilhas...


Alice no país das sapatilhas.
Não escorregues, não chores!
Prega a espada e corta o rabo
Do senhor razoável!
Chorona, chorona!
Chávena de chá!
Chapadona!

Os loucos são
um pouco mais felizes
Mas só
os que o são só um pouco!
As regras da casa são para se cumprir
Senão
crescem-lhes narizes!

Quem está de fora
vai dormir,
sem beliscadelas.
Pois
o bom sono
apenas faz
Cinderelas!

E o amor
É um duro osso
de deixar partir!

Alice Sapatilhas, by Gran Morsa
Adeus, adeus, aos convencidos da vida, que suja bandeira hastearam anunciando ao mundo toda a morte a ouros e rubis. Adeus às viagens por folhetos dobrados nos cantos, por vapores metropolitanos e cigarros por acabar. Adeus às cigarrilhas também.
E tão belas são as virgens, empurradas por este vendaval, forçadas a abandonar os recintos por portas e janelas onde descansam sombras…
Não as desperte! São feras de cenho arreganhado, Cérberos e Hidras! São o espectro mal-amado de consortes e divas. Guardam cem sonetos de luas e sóis, de terra e de prantos e de chuva e de alegria! Guardam tudo o que lhe escrevi: a lua poeirenta, a madressilva das melodias fugitivas e o esquecimento de um ouro incandescente no coração.

Os pássaros chegaram mais cedo. Será já Primavera?


I wouldn't say better...

“I am an excitable person who only understands life lyrically, musically, in whom feelings are much stronger as reason. I am so thirsty for the marvelous that only the marvelous has power over me. Anything I can not transform into something marvelous, I let go. Reality doesn't impress me. I only believe in intoxication, in ecstasy, and when ordinary life shackles me, I escape, one way or another. No more walls.”

Anaïs Nin



E aos poucos...


... muito serenamente, vou desprendendo-me de ti. Sanando, sorrindo. Forçando-me ao renascimento.
Já não pertenço ao teu contemplar falacioso e, livre de arritmias e apoplexias, corro livremente, de cabelos soltos, alameda abaixo, perseguindo os pombos, gritando às fachadas seculares ornamentadas pelo sol matinal citadino, a natureza que sou e os rios que jorram em mim num canto jovial e eterno! Ah… como me sinto bem!

PS.: Diz-se que quem prende um aloquete à Ponte D. Luís e deita fora a chave, verá um desejo concretizado. Diz-se…