E aos poucos...


... muito serenamente, vou desprendendo-me de ti. Sanando, sorrindo. Forçando-me ao renascimento.
Já não pertenço ao teu contemplar falacioso e, livre de arritmias e apoplexias, corro livremente, de cabelos soltos, alameda abaixo, perseguindo os pombos, gritando às fachadas seculares ornamentadas pelo sol matinal citadino, a natureza que sou e os rios que jorram em mim num canto jovial e eterno! Ah… como me sinto bem!

PS.: Diz-se que quem prende um aloquete à Ponte D. Luís e deita fora a chave, verá um desejo concretizado. Diz-se…

A Morte tocou-te e, frágil, tombaste nos meus braços. Ainda morna, antecipando o gelo de um corpo inerte, sem essência.
Mas em ti nascerão as mais belas tulipas, serás rodeada por borboletas e nascerás em cada maçã!
Conheces bem o Amor; esse fiz questão que guardasses para sempre... e estás no Céu agora. Estás a tomar conta de mim.
Fechaste os olhinhos na incubadora e foi como se o véu entre esta dimensão e o outro Mundo, de repente, se tornasse transparente. Não soube a qual pertencias, nem a qual me fizeste pertencer. Perdi a força nas pernas e caí no chão. Viste isso? Espero que não. Foi desesperante e mórbido e fez-me parecer uma desistente. E tu tiveste forças, por mim! Deixaste-te ficar comigo para me olhares uma última vez e deixares-me beijar-te uma última vez.
Foi tudo dito. Entendes as minhas palavras? Acho que sim. Acho que, secretamente, sussurraste-me que era o fim. A Mãe não ouviu. Ainda bem. Ela também te ama. Todos te amamos.
O meu peito será sempre o teu colo.
Amor, amor sempre, minha doce Borboleta. Até já!