Batom vermelho


Hábitos que não dispenso...


Por isso pára de chorar,
Carrega no batom,
Abusa do verniz,
Põe os pontos nos Is.
Nem Deus tem o dom
De escolher quem vai ser feliz.



Canção de Alterne, by Rui Veloso

Um Prisma Em Nós...


Hoje perdi-me de novo nas voluptuosas torrentes de espasmos do teu ser. Senti-te tremer, de cada vez que os meus lábios de fúchsia percorriam a tua pele beijada pela água do abismo.
Em ti, fui ninfa. Levei-te à perdição. Uma e outra vez. Beijei as pétalas de borboleta que te tingiam a pele de anil e púrpura, percorri todos os esboços primorosos que delineias quando na tua mente pintas o infinito que nunca atinges e clandestinamente deixas que o metal acre e fino seja o teu pincel e tu a tela.
A cinzel, talhaste-me. Fizeste-me tão graciosa a teus olhos, como se nos meus cabelos nascessem todos os sóis, como se no meu ventre houvesse jardins de flores brancas, como se os meus seios fossem botões de rosas frescas em que, deliciosamente, te deleitas pela manhã.
Não me deste cor. Disseste que eu era perfeita assim: de alabastro, translúcida, dócil. Quase virginal.
Assim, arruinar-me-ias quando as tuas unhas riscassem de fogo a minha pele. Essa seria a tua mais perfeita expressão de vaidade e prazer. Essa seria eu. Assim, poderíamos fundir a palidez de almas que já não existem, senão, quando a arte carnal e a luxúria infinda nos consomem e nos levam à exaustão… uma e outra vez…

Goodnight, Heathcliff

I close my eyes and I touch the soft skin of your face with my left hand... I skip it into your tangled black curls. They're also a good metaphor for your soul. For mine.
I rest my head on your bare shoulder and everything in me is fire. I don't know what color I burn. Perhaps there's no chemical element to ignite in the same way that our bodies do...




Now your eyes look glassy and my eyes are raining. My makeup is flaking. I don't know if I'm crying putrid blood or if the color of my eyes is escaping me...

I blow you goodbye, clean the mud and fall asleep.

Goodnight, Heathcliff.