"Não te amo, quero-te"

E vai ser sempre assim, ou não se conjurassem as ervas daninhas em torno do propulsor de vida e asfixiassem a luz ténue que pingava das pétalas do lírio beijado pelo orvalho.

To the lunatic on the grass

I've become comfortably attached to you, to the point where I consider you one of the greatest geniuses of all human existence. You're amazing and, even with your seventy years, you still a hell of a man and, damn!, you rock.
We will meet some sunny day. Happy birthday, lunatic.


Roger Waters
A questão é que cada palavra minha não passa de uma página rasgada de um livro que não chegou a ser escrito.


Ainda te recordas da dança frenética das folhas dos eucaliptos compassada pela queda da chuva? Da opacidade que nos preenchia e desembaraçava os demónios em nós?
E se caísses mal? Bem, se caísses mal, forçar-me-ias a ir contigo porque nunca a tua dor foi feita de algodão e o fio de sangue que jorrava de ti não era de seda. E tu, melhor que ninguém, sabe-o. Tu, que tombaste das nuvens e agora vagueias como o anjo caído das histórias míticas e seculares, não és, senão, a minha história mítica, aquilo que será sempre a minha fantasia, da magia taciturna  das noites de morrinha.
E perdes-te na erva húmida e os teus cabelos em espiral, desalinhados, confundem-se com a confusão que os fios de lã cinzenta de emoções são em mim.
E eu e a minha lógica arquitectónica padecemos porque, logicamente, quebraste as barreiras de todas as possibilidades e trouxeste o contraditório.
E esqueceste-te de nós. Desprezaste a loucura nocturna que fomos, e o infinito que varreste para a perdição levou consigo a recente descoberta de um sentimento por inventar.
Ah! Se te odeio! É este malquerer que me consome, porque, inconscientemente, fazes-me querer por ti.